miércoles, 2 de mayo de 2012

Minhas tardes com Margueritte (La tête en friche)

Por vezes temos sorte e nos deparamos com um desses filmes que a crítica não promove, por ser uma produção menor. Metragem pequena, investimento mínimo, temática simples que também não exige dos atores um desempenho extraordinário. Um ensaio de teatro pontual, quase um passatempo doméstico. Temos sorte de que um filme como “Minhas tardes com Margueritte” caia em nossas mãos, e não no esquecimento.

Eis uma miniatura que transpira ternura, arte, cultura, que nos educa e nos torna melhores. Essa é, e não outra, a função da arte. Lembrar-nos as coisas importantes da vida, aquelas que esquecemos por estar ocupados com uma multidão de solicitações que nos acossam diariamente. Foi esse o motivo, conforme conta a mitologia, pelo qual Zeus criou as musas e as artes: para lembrar aos homens o que realmente importa.
Margueritte é uma anciã encantadora de 85 anos,  de acordo com o romance de Marie Sabine Roger que embasa o filme, embora a atriz que incarna o papel tenha mais de 95. Quem passa as tardes com ela é Germain Chaze, homem de capacidades limitadas, criatura mal querida pela própria mãe, um fardo gordo e amorfo, puxado com fórceps, que se converte num ônus de por vida. Germain carece de cultura, de formas, ninguém investiu nele, recebeu apenas pancada. Sua cabeça é um terreno baldio como aponta o sugestivo título original em francês: La Tête en Friche . Mas tem um coração proporcional ao seu tamanho, quer bem o próximo, se faz querer, transforma suas deficiências em carinho exuberante, avassalador, envolvente. Esse será o solo fértil do qual a anciã extrairá fecundidade.
O filme pode ser analisado por diferentes  ângulos, e o valor biográfico dos anciãos, a delicadeza que emana da relação com os velhos é certamente um deles. Como dizia um bom amigo geriatra e professor universitário, os velhos têm pouca biologia por diante, a sua fisiologia é decadente, mas têm muita biografia. Para cuidar deles é preciso prestar atenção a essa dimensão vital, que se integra também na saúde física.  Afinal, não é um filme sobre idosos, ou de como cuidar de uma anciã. É ela, Margueritte quem cuida e educa Germain, e com ele a todos nós. Esse é o panorama que se descortina diante deste filme encantador.
Nestes últimos tempos ando especialmente sensível ao tema da cultura, ou melhor, da aridez cultural, das carências. Confesso que sinto o coração apertado quando descubro que alguém não sabe ler, o que me faz sofrer mais do que ver alguém passar fome, porque a fome teria um remédio acessível, enquanto que a instrução básica é limitadora, incapacitante.
A falta de estudos, os iletrados, como diziam os clássicos, é crueldade que pede remédio, mormente quando se vê que o terreno é ermo, por falta de cultivo, por carecer de cuidados que fariam desabrochar frutos formidáveis. Basta um contato delicado, como Margueritte sabe provocar  para que surjam os primeiros resultados. Mas como não é uma criança a que está sendo educados, os efeitos iniciais são dolorosos: a consciência da própria inutilidade. “Careço de modelos, tive de aprender tudo sozinho. Em quinze palavras, digo doze grosserias”. É o lamento de Germain que repara nas limitações que a vida lhe impôs, o maltrato e as humilhações sofridas pela mãe e pelos professores, a ausência de um pai, pois “eu não sou fruto do amor, mas um acidente de percurso”. Os educadores qualificam esta situação como a passagem da incompetência inconsciente (não se sabe nada, mas se desconhece o quanto se ignora), para a incompetência consciente (onde se repara no muito que se ignora, e vem o susto tremendo). “É como dar lentes a um míope, se vê os defeitos, me vejo a mim mesmo, é doloroso”.
Margueritte é uma educadora que não tem pressa, saboreia cada momento desde a perspectiva de uma vida vivida em plenitude, pratica a arte de educar. Porque educar é mais do que quantidade; é provocar experiências inesquecíveis, despertar o interesse, fomentar a reflexão. “Germain, você é um ótimo leitor, porque ler é também escutar. Como as crianças que se acostumam com a leitura em voz alta”. Educar é, antes de tudo, colocar amor e delicadeza no processo que forma os outros.
Daniel Pennac, escritor e educador francês, comenta em sua conhecida obra “ Diário de Escola “, que uma das condições do bom professor é estar preparado para a colisão entre o seu conhecimento e a ignorância do aluno. Uma preparação que deve ser interior e conduz a lembrar “como é não saber as coisas para, colocando-se no lugar do aluno, educar com eficácia desde essa perspectiva”. E ainda acrescenta: “Basta um professor,  apenas um! ,  para nos salvar de nós mesmos, e fazer-nos esquecer dos outros professores que atrapalham. Os professores que me salvaram  e que fizeram de mim um professor, não estavam formados para fazê-lo. Não se preocuparam das origens da minha incapacidade, nem perderam tempo buscando as causas. Sentiram urgência, foram atrás de mim, e me tiraram do fundo do poço. Pescaram-me em tempo. Aqueles professores que mudaram minha vida estavam possuídos pela paixão comunicativa da sua matéria. Suas aulas eram atos de comunicação, sem dúvida, mas com um saber dominado até o ponto de que se tornava criação espontânea”.
Diante desta perspectiva, a conclusão simplista é pensar que não se fabricam hoje em dia professores assim. De algum modo isto é verdade. Mas é uma verdade oculta, ou melhor, camuflada pela avalanche de informação, onde todos sabem de tudo rapidamente, on-line, e desse modo vamos empurrando o problema com a barriga. O professor e filósofo espanhol A. Llano descreve em “ Cultura y Pasión “, o receio que lhe provoca visitar universidades que não têm bibliotecas com a falsa desculpa de que agora ‘tudo está na rede’. Escreve: “São dependências da administração pública ou de multinacionais privadas onde a árvore da ciência não passa de ser uma metáfora vazia. Estamos diante da ignorância organizada eficientemente, tecnocraticamente orquestrada e, naturalmente, bilíngue ou trilíngue”.
Vivemos tempos de informação rapidíssima, e de impactos emocionais. As pessoas se comunicam o tempo todo, se emocionam, mas não refletem, nem muito menos escrevem. É pouco o que sobra; e a cultura, que no dizer de alguns é o que resta quando tudo se esquece, reduz-se ao mínimo. Pensam  alunos e, o que é mais triste, educadores- que no aperto sempre se pode recorrer à internet, e basta alguma consulta à Wikipédia ou ao Google, para sanar estas deficiências. E ainda chamam isso de pesquisa, em eufemismo grotesco.
A fartura de informação não garante a cultura, quando falta justamente o que o nome implica: cultivar, trabalhar a terra mediante a reflexão que gera ideias próprias. Bem o advertia Ortega y Gasset quando escreve: “A vida é um caos, uma selva, uma confusão. O homem perde-se nela, Mas sua mente reage perante a sensação de naufrágio, e trabalha por encontrar na selva caminhos: ideias claras e firmes sobre o universo, convicções positivas sobre o que são as coisas e o mundo. O conjunto, o sistema dessas coisas é a cultura. É o que nos salva do naufrágio vital”.
Voltamos à Margueritte, mulher delicada, frágil como porcelana, que consegue tirar do rude –que era terra boa- horizontes incríveis. Educação não é volume nem quantidade – já o dissemos antes. A verdadeira educação humanística funciona em pequenas doses, moderadas, assimiláveis, em “ low profile ” por utilizar um termo atual. Pode-se despertar o gosto pela cultura, com um par de leituras bem comentadas, ou contando historias.
E nos perguntamos se ao invés de navegar compulsivamente pela Internet à procura ávida de informação, não seria melhor que os jovens gastassem mais tempo conversando com a própria avó para aprender a peneirar o que realmente é importante. Bom seria ver gente com livros em baixo do braço, como um interlocutor silencioso que espera pacientemente ser convocado. Seria uma esperançosa alternativa para essa fauna de autômatos que brincam com o smartphone e consultam a informação em tempo real, com a mesma dependência que um doente do pulmão carrega o balão de oxigênio.
Borges dizia que mesmo sendo cego, continuava comprando livros, porque precisava rodear-se dessa presença amável. Lembro ter comentado isso com uma aluna quando certo dia me confidenciou ter tido uma sensação nova e agradável: decidiu ir caminhando até o metrô, sem ligar o iPod e…..teve tempo para pensar!
Margueritte leva da mão a Germain, e os sentimentos do homem bronco tomam forma de poesia no final do filme. Um poema que não resisto a transcrever na íntegra e que em francês tem um encanto todo especial. Diz mais ou menos assim: “Foi um encontro pouco corrente entre o amor e a ternura, mais nada". Tinha nome de flor e vivia entre palavras, adjetivos esmerados, verbos que cresciam como a grama; alguns ficavam. Entrou suavemente desde a carcaça até o meu coração. Nas historias de amor, tudo é grande; ás vezes não existe sequer ‘eu te amo’, mas a gente se ama. Foi um encontro pouco ordinário, a conheci por acaso no parque, não ocupava muito, o tamanho de uma pomba com as suas penas, embrulhada em palavras, em nomes, como o meu. Deu-me um livro, depois outro, e as páginas se iluminaram. Não morras ainda, há tempo, espera; não é a hora pequena flor, dá-me um pouco mais de ti, dá-me um pouco mais da tua vida, espera. Nas historias de amor, ás vezes não existe sequer ‘eu tem amo’, mas a gente se ama.”
Leio este poema, o escuto de novo na voz de um soberbo Gérard Depardieu, e me emociono. Tem altura para ser acadêmico da língua francesa. E tudo começou uma tarde num parque, lendo “A Peste” de Camus. Pensar como alguém consegue despertar o amor pela leitura com semelhante obra, me faz concluir o que a obra apontava acima: deve ser mesmo o amor e a paixão por educar. E tenho uma inveja enorme e inspiradora de Margueritte, uma humanista admirável.

miércoles, 25 de abril de 2012

El lunfardo


Edmundo Rivero fue un cantante, guitarrista y compositor argentino de tangos. Nació el 8 de junio de 1911 en Valentín Alsina (Patido de Lanús,Buenos Aires, Argentina). Su bisabuelo materno, inglés, de nombre Líonel, había sido lanceado a mediados del siglo XIX por los indios pampas, le dejó la herencia del pelo rubio y el primer nombre (su nombre completo era Leonel Edmundo Rivero). Se formó en la música clásica, estudiando canto y guitarra en el Conservatorio Nacional del barrio de Belgrano.






Quien no sepa hablar el español de Buenos Aires difícilmente comprenderá las letras de estos temas

Palabras


“A cada dia que vivo mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável o sofrimento é opcional.”


Carlos Drummond de Andrade

martes, 28 de febrero de 2012

Del Filme" Tempo de Paz" Monólogo de Segismundo, La vida es Sueño- Calderon de la Barca



"Ai de mim, ai, pobre de mim!
Aqui estou, ó Deus, para entender que crime cometi contra Vós.
Mas, se nasci, eu já entendo o crime que cometi.
Aí está motivo suficiente para Vossa justiça, Vosso rigor, porque o crime maior do homem é ter nascido.
Para apurar meus cuidados, só queria saber que outros crimes cometi contra Vós além do crime de nascer. Não nasceram outros também?
Pois, se os outros nasceram, que privilégios tiveram que eu jamais gozei?
Nasce uma ave e, embelezada por seus ricos enfeites, não passa de flor de plumas, ramalhete alado quando veloz cortando salões aéreos, recusa piedade ao ninho que abandona em paz.
E eu, tendo mais instinto, tenho menos liberdade?
Nasce uma fera e, com a pele respingada de belas manchas, que lembram estrelas.
Logo, atrevida e feroz, a necessidade humana lhe ensina a crueldade, monstro de seu labirinto.
E eu, tendo mais alma, tenho menos liberdade?
Nasce um peixe, aborto de ovas e lodo e, feito um barco de escamas sobre as ondas, ele gira, gira por toda parte, exibindo a imensa habilidade que lhe dá um coração frio.
E eu, tendo mais escolha, tenho menos liberdade?
Nasce um riacho, serpente prateada, que dentre flores surge de repente e de repente, entre flores se esconde onde músico celebra a piedade das flores que lhe dão um campo aberto à sua fuga.
E eu, tendo mais vida, tenho menos liberdade?
Assim, assim chegando a esta paixão, um vulcão qual o Etna quisera arrancar do peito, pedaços do coração.
Que lei, justiça ou razão pôde recusar aos homens privilégio tão suave, exceção tão única que Deus deu a um cristal, a um peixe, a uma fera e a uma ave?

domingo, 26 de febrero de 2012

Restless


“Tenemos tan poco tiempo para decir todo lo que queremos. Tenemos tan poco tiempo para todo”.

Hiroshi (Ryō Kase)

Un único trazo de tiza continuo dibujado sobre el pavimento callejero encapsula, al modo de los amantes petrificados para la eternidad de Rossellini, a dos personas en una única mortaja simbólica, aquí filtrada ya por varios años de Historia del cine y pastiche postmoderno: en una escena de cómica ternura o bien de romántico dramatismo se infiltra un elemento clave de la iconografía del cine policíaco. Sin embargo, el matiz es sutil: ella, condenada por un cáncer irremisible se encuentra perfectamente delineada por su propia silueta; él aún escapa a un destino tardío: un pie, una mano, la cabeza se rebelan. Aun así, sus respectivos dedos siguen entrelazados y el enfrentamiento hacia la muerte va a ser un camino que emprenderán juntos.

Semejante descripción debería bastar para alejar a todo aquél que no esté dispuesto a invertir su tiempo en descubrir por qué la solución para recuperar una cierta inocencia de los conceptos narrativos en ocasiones podría pasar por despojarnos a nosotros mismos de nuestros autoimpuestos códigos de cinismo y sospecha. Hemos vivido demasiadas guerras como para aceptar una historia de amour fou condenado por una muerte a la vuelta de la esquina y dejarnos seducir por esta Love Story para la generación ipod que, en primera instancia, no pretende más que resultar una historia bonita y enternecedora.

Así que es muy lícito y respetable desechar Restless a la primera de cambio. Pero (¿acto de fe? al fin y al cabo, estamos hablando de Gus Van Sant) algo más hay detrás de esta hermosa película. Y vale la pena descubrirlo. De entrada porque, abarcado todo el espectro ideológico de la vertiente industrial del cine, este es un paso lógico en la carrera de un hombre que se ha acogido a la radicalidad más extrema (nacimiento en el underground -Mala noche- primeros pasos en una cierta independencia -Drugstore Cowboy, Mi Idaho privado-) y ha logrado fluidamente retornar a la misma (Elephant, Gerry, Last Days, Paranoid Park) tras conocer el éxito mainstream (El indomable Will Hunting, Descubriendo a Forrester, Mi nombre es Harvey Milk) sin renunciar a interesantísimas experimentaciones radicales de por medio (Psycho). En este sentido, Restlesspodría ser la depuración de esa tendencia situándose en un punto intermedio a todas ellas (como en su momento pudieron hacer en cierto modo Ellas también se deprimen o Todo por un sueño): se presenta en un envoltorio accesible al que no hará ascos ninguna platea, pero no renuncia a los estilemas temáticos y a las señas de identidad de un hombre que parece ya tener al alcance de su mano la plena capacidad de lograr con cada gimmick audiovisual la emoción pretendida en el espectador.

De modo que nos encontramos ante una nueva película rodada con la exquisitez formal habitual; con el mimo aplicado en cada plano, en el tratamiento de la fotografía (sutil depuración de la personalidad visual de su anterior Paranoid Park) y en la elección de canciones para su banda sonora. Y en este sentido la intención es clara: el hermetismo de Elephant tiene su visión amistosa: ahora el plano icónico no es el de la espalda del joven que se desplaza sin rumbo pero con un destino por los claustrofóbicos pasillos de instituto, sino el contraplano frontal de la joven pareja que pasea -también sin rumbo y con destino- por las calles suburbiales de Portland.

Pero también estamos ante una nueva exploración del adolescente, de la soledad por la diferencia y la necesaria comunicación con el prójimo durante la etapa de juventud -gran tema transversal a toda su obra que en Restless se concreta en la mirada y el gesto ascético de un gran Henry Hopper, hijo de Dennis-. Y aquí, los jóvenes protagonistas están a medio paso de la maduración, de empezar a encontrar el rumbo. Al fin y al cabo, Restless parece ser la historia personal, más que de Annabel la joven con cáncer profunda admiradora de Drawing, de Enoch, el chico que se enamora de ella.

Como tantas otras criaturas de Van Sant, Enoch está perdido en un entorno donde las figuras adultas ya están ausentes. En su caso, sus padres desaparecieron del mapa sin que él pudiera siquiera despedirse. A partir de ahí, su mundo se puebla de fantasmas (ese Kamikaze que se ha convertido en su principal aliado invisible que en ocasiones ejerce de voz de la conciencia y en otras de catalizador de la culpa social -Nagasaki-) y conversaciones con la muerte (la tumba de sus padres), pero esencialmente desde una posición casi intrusista (la asistencia a funerales de gente a la que no conoció). No será hasta el final que Enoch aprenda a integrar realmente en su vida la idea de la muerte dando finalmente ese paso de iluminación al que no muchos logran llegar. Van Sant perfila de este modo y respecto a la vida que convive con la idea de la muerte una visión espontánea, sincera, una mirada clara y directa, imbuida de la misma puntería expositiva que desprendía, por ejemplo, el Alan Ball de A dos metros bajo tierra.

Así las cosas, el relato requiere de un tremendo vitalismo y de un enfoque tierno aun no ternurista para no caer en la solemnidad ni la circunspección forzada. Al fin y al cabo, a pesar de aceptar la muerte como un activo presente en la vida, la adolescencia es pura, y simplemente, una fuerza vital de amor. El triunfo del eros sobre el thanatos. El cumplimiento de los sueños que se impone al derrotismo y el pesimismo propios de la edad adulta. Por eso, Restless es, ante todo, un canto a la fabulación y a la imaginación, a la ensoñación y la aceptación de la invención como forma de vida (¿acaso duda Annabel al aceptar a Hiroshi, el fa por ello todo está imbuido de una cierta "aparente ligereza" casi francesa. En Restless hacen acto de presencia una ternura truffautiana (hay un regusto a la vitalidad romántica de Besos robados, de algunos momentos de Jules y Jim), ecos de Cléo de 5 a 7 y la caracterización de una Mia Wasikowska (por cierto, inconmensurable) claramente inspirada en Jean Seberg. Pero también contiene una placidez casi nipona (hacen acto de presencia la serenidad de los manga de un Jiro Taniguchi y la lucidez otoñal del Kurosawa de Vivir y casi de Mikio Naruse y Ozu), algún guiño a Harold y Maude y el aire agridulce de la clásica Amarga victoria.

Todo en un contenedor de indiscutible carcasa indie, a medio camino de la excentricidad de Hal Hartley, la comedia dramática (eso, indie) de los 90 cuya bandera podría ser Beautiful Girls y el romanticismo Hollywood estándar. Y que de nuevo demuestra la capacidad para convertirse en símbolo generacional, puntuado por temas musicales -más allá de la atemporal aparición de los eternos Beatles- de algunos popes del panorama actual (hay canciones de Bon Iver o Sufjan Stevens) y rematado de manera inmejorable en un final ya icónico al que da calor la totémica voz de una Nico que treinta o cuarenta años después podría seguir dotando de texturas a los sueños de adolescencia.

Aunque en el fondo, bien pensado, más que en un quirúrgico analista de la condición adolescente, Gus Van Sant se postula, gracias a las resonancias míticas de su película, en un poeta de los avatares humanos, sin acotaciones de edad. Son las ventajas de disponer de unos personajes que han decidido aprehender su propio destino más que huir de él. A eso se le llama maduración. Algo que parece esquivo a algunas personas aunque se les conceda la oportunidad de vivir un siglo y la misma que logran esos directores que deciden, como culminación de una idiosincrasia creativa, terminar haciendo lo que les dé la real gana sin miedo a naufragar en las caudalosas aguas del océano de la cursilería y la pedantería afectada.

Y Gus Van Sant, recordamos, es un más que experimentado lobo de mar.

El tiempo se acaba


El tiempo se acaba

Esta cerca la verdad

Esta presente la realidad

Flota esa realidad

En el fondo de este cielo azul

El tiempo se acaba

El mar esta sereno, tibio

Esta cerca la verdad

El tiempo se acaba

Tu ausencia me angustia

Tu ausencia me libera

El tiempo se acaba

Esta cerca la verdad

El tiempo se acabara definitivamente?

El tiempo perdurara en mi?

No sé, alguna vez el tiempo tiene que acabar

Poeta de Luna

Cassino, 26 de febrero de 2012

lunes, 9 de enero de 2012

CUENTA CONMIGO

Después de un tiempo silencioso quiero comenzar este año 2012, con la recordación de la música que me acompaño desde mi adolescencia y me continua acompañando, “El Bolero”. Uno de los más me impactaron lo sigue haciendo en mi vida personal, es este tema de Chico Novarro que gano el festival OTI en 1977 cantado nada más y nada menos que por Daniel Riolobos.




CUENTA CONMIGO
(Chico Novarro)


Cuenta conmigo,

por si tuvieras que encontrar algún motivo.

Si necesitas algo más

que conformarte.

Si se te ocurre

por ejemplo enamorarte,

aquí me tienes,

siempre dispuesto.

A ver el mundo como tú

ni lo imaginas

y si me quieres ver feliz

y no te animas,

cierra los ojos al aroma

de una rosa,

Mientras mi alma

te cuenta cosas.

Cosas que nunca

te dijeron hasta ahora,

si eres consciente

de la gente que te adora,

de ser un poco

la razón de esta canción.

Y si resulta,

Que no resulta

mi sistema de quererte,

Cuenta conmigo nada mas

que para verte

Y si tuvieras que dejarme

no te ocupes...

Yo me podría acomodar

sin molestarte,

En un rincón

donde pudieras acordarte,

que cuando el tiempo

haya pasado y tengas ganas...

En esas ganas

me encontrarás...

Cuenta conmigo!!